Padilla e os media
- Mais: Tauromaquia
- Região: Opinião
- Data de publicação: Terça, 18 Outubro 2011 12:03
- Escrito por João Aranha

Como foi largamente noticiado nos media de quase todo o mundo o carismático matador jerezano Juan José Padilla sofreu gravíssima e escalafriante colhida ao sair de um par de bandarilhas na lide do quarto toiro (Ganaderia de Ana Romero) na corrida do passado dia 7 de Outubro, incluída na Feira de El Pilar, em Saragoça. Nem sempre da melhor maneira e pelas mais elementares e humanas razões, é facto, porque assim andamos, num tempo em que as violações, os abusos sexuais ( e não só) sobre as crianças, e tantos outros crimes execráveis do nosso triste dia a dia, nem sempre merecem tão grandes parangonas e são, no geral, "esquecidos" pelos tribunais.
A verdade é que os meios de comunicação ditos "generalistas" (e não estou a referenciar apenas os nossos e todos eles ) costumam usar as imagens e os textos noticiosos conotados com a Festa e as tradições tauromáquicas de modo a conduzir o leitor desatento, ou menos cultivado na especifica ciência taurina para o lado (em seu entender) aparentemente negativo dessas tradições. Logo mais "vendável" em termos de audiência ou saída do "papel",.com proveito pessoal para quem compõe e difunde a noticia, aos olhos de quem lhe paga o salário. Os exemplos são tantos que dispensariam citação, mas ninguém deixará de aceitar que não escapa a esta análise o modo como são "noticia" os feridos nas largadas da Moita ,Vila Franca ou Alcochete, e muito raramente foram (ou são) "noticia",nos tais meios generalistas, a grande faena de um matador, o toureio clássico e verdadeiro de um cavaleiro, ou a pega espectacular de um bom forcado. E, menos ainda, a referencia ao bravo comportamento de um curro de toiros, por razões óbvias de ignorância na matéria .
E afinal é aí que tudo começa. No conhecimento do que é um toiro de lide, como e onde nasceu e como se comporta, de modo a perceber porquê a tauromaquia é hoje uma arte, e os homens, de todos os níveis culturais, que apaixonadamente assistem às corridas, não são movidos por sentimentos impuros e são os que mais respeitam os toiros exactamente porque os conhecem.
A temporada está a terminar e ficou muito por dizer e comentar. A proibição das corridas na Catalunha mereceu alargado e negativo noticiário ao jeito do que atrás citei, com os tais generalistas a "esquecer" que os seis matadores que actuaram nas duas ultimas corridas,(com lotação esgotada) na Monumental de Barcelona, entre os quais, Serafin Marin, ali nascido, foram passeados aos ombros pelas calles da"cidade condal". E agora, em Saragoça, não faltaram cartazes com dizeres de "Padilla Catalunya está contigo"!
Nas verdade isto dos toiros e da afición é coisa complicada que os "generalistas"dificilmente entendem. Se tiver saúde e paciência voltarei ao assunto.


