Sáb05192012

Praça de Toiros “CARLOS RELVAS”

Símbolo do património arquitectónico e cultural da capital sadina!

Pois assim é, embora muitos sejam os ignorantes que não o querem reconhecer!
Tendo Setúbal sido um grande centro de actividade comercial, nos mais variados domínios, nomeadamente, nos sectores da pesca e indústria conserveira e na construção e reparação naval, ámen de outros pólos de actividade que tornaram a capital do Sado notada no plano económico de outros tempos, a variedade cultural desta cidade soube evoluir com a sua grandeza económica. E nesse aspecto, não ficou de fora, nem a arquitectura, nem a tauromaquia. Aliás, as duas andaram de mãos dadas ao longo dos tempos.

No aspecto taurino, Setúbal desde cedo começou a escrever a sua história, através de festejos populares e de umas quantas funções formais, realizadas em praças de madeira, que tal como em outros lugares, eram alvo das contingências climáticas que faziam com que ao fim de pouco tempo, acabassem por ser substituídas. Nas ditas funções oficiais, pelas praças improvisadas de Setúbal, passaram quase todos os grandes nomes das figuras de outros tempos, cavaleiros claro está e um outro meio espada de insignificante reconhecimento, oriundo de uma Espanha, à época conturbada politica e economicamente, como conturbado é actualmente, o panorama sócio- económico desta cidade.

Mas todo este ciclo de destruir velho e construir novo, levou à necessidade e ao desejo manifestado pelas gentes de Setúbal, em terem uma praça de toiros condigna e onde pudessem desfrutar em melhores condições, de um espectáculo que já há muito tempo se havia enraizado no seio cultural da região.

E nos finais de1888, é constituída uma comissão de benfeitores da cidade, logicamente aficionados é claro, que decidiu tomar a seu cargo, o projecto de edificar um tauródromo fixo, cuja capacidade lotativa rondasse os cinco mil lugares. As obras tiveram inicio no inicio do ano de 1889 e logo a 15 de Setembro desse mesmo ano, os então 5137 lugares da “Praça D. Carlos” (que era a denominação primeira que lhe foi atribuída) encheram por completo, para assistir à abertura de portas do novo ícone cultural da cidade.

No cartel, figuraram os nomes do cavaleiro benaventense Fernando de Oliveira e dos bandarilheiros José Joaquim Peixinho, João do Rio Sancho, Rafael Peixinho, José Maria da Costa, José Félix e o espanhol, então residente no nosso país, Vicente Mendez “Pescadero”. Os toiros lidados foram em número de dez e ostentaram ferro e divisa do criador coruchense António Feliciano Correia Branco, hastados que seriam agarrados à unha por um brioso grupo de valentes moços de forcado.

Logo nesse ano, a praça de Setúbal assumiu as funções de substituta da praça de toiros do Campo de Sant’Ana em Lisboa, interdita por uma vistoria feita ao recinto, que alegou a falta de condições para a realização de festejos tauromáquicos na capital portuguesa, acto resultante da tragédia registada dias antes na cidade do Porto, com a destruição num incêndio do Teatro Baquet, o que obrigou as autoridades a encetarem este tipo de fiscalização a todos os recintos de espectáculos fechados.

Pela arena da praça de toiros “Carlos Relvas”, denominação actual e que seria adoptada logo após a implantação da República, passaram grandes cartéis de toiros, montados por grandes nomes do empresariado taurino de então, que souberam deixar a imagem da Setúbal taurina vincada, quer nas suas datas tradicionais da sua Feira de Santiago, quer em datas avulsas, onde ficaram rubricadas notas de destaque de grandes toureiros, alternativas e outros detalhes muito justificados na história daquele tauródromo e muito do agrado de todos quantos se dedicam à história do toureio.

Pela sua arquitectura, a praça de toiros “Carlos Relvas” tem a uma forma octogonal, característica do padrão arquitectónico usado nos finais do século XIX e que se reflectiu aos edifícios que se construíram à sua volta, constituindo ambos um património arquitectónico de real valor, que se torna necessário preservar na capital sadina.

Apesar de tudo, há por ali quem assim não entenda e tenha defendido a sua total desintegração, para conversão em espaço habitacional e comercial, apenas do interesse de certos lobbies instalados, que vêem a festa brava como um acto bárbaro e abominável, que nada tem de cultural ou sociável, que não traz qualquer tipo de riqueza à região e que por isso mesmo, se torna necessário “exterminar” por completo.

Depois de um período de portas fechadas, em que o edifício foi posto à venda por uma leiloeira, em que a empresa “APLAUDIR” se propôs recuperar o edifício, que estava a necessitar de obras, surgem os “amigos dos animais” em cena, para mostrarem o seu elevado tom “cívico” e deixarem gravadas as suas marcas de vandalismo. E depois são os defensores da festa, os bárbaros, os assassinos.