Sáb05192012

“Tempos vão, Tempos vem”

Não passa um dia que não encontre, no meu correio electrónico, (apesar de bem "velhote"não escapei ao sortilégio e à necessidade de entrar nas novas tecnologias), alguma notícia conotada com a nossa festa brava. Nem sempre pelas melhores razões e com os melhores propósitos, é certo, mas com conteúdos a requerer análise e/ou resposta condizente.

Pensando maduramente no facto de ser hoje tão fácil, e tão rápido, comunicar, dei-me conta de que nem sempre a esse milagre tecnológico corresponde melhoria ou proveito para quem está envolvido nos temas noticiados ou deles colhe informação válida. Reportando-me à temática dessa mesma Festa Brava, verifico que hoje proliferam, para além dos inúmeros "sítios" da Internet, muitos outros lugares noticiosos, (rádios e órgãos regionalistas, por exemplo)a dedicar-lhe horários e páginas, sem que no entanto tal possa ser tido como melhoria ou incremento da difusão e expansão da noticia tauromáquica, implicitamente responsável pela aculturação da afición e/ou criação de novos aficionados. Não só porque o povo português lê pouco e mal (não sou eu quem o proclama mas as estáticas que saem a diário) mas também porque à quantidade nem sempre corresponde melhoria de qualidade. Há hoje muita gente com excelente cultura tauromáquica, adquirida pela vivência no meio, pela leitura dos textos válidos, e outras experiências igualmente importantes como serão os contactos com o mundo do toiro nas suas múltiplas vertentes, e a presença nos lugares onde se aprende,(com a humildade de se reconhecer quanto vale essa aprendizagem).Acontecendo que por vezes, haja quem não escape ao "convite" fácil e hodierno de alinhar no que mais vende ou mais audiência conquista, esquecendo assim a sua missão pedagógica trocada pela "fofoca de maior impacto especulativo. Numa atitude de "ajeitamento" aos usos do tempo (que se respeitarão, na justa medida) e não nos compete criticar, mas nos reporta aos"tempos que já foram".Isto é aos tempos das "tertúlias" do Nacional e do Nicola onde aprendi, com meu saudoso Pai, com Rogério Perez, com Pepe Luís, com José Sincero, com Leopoldo Nunes, com Niza da Silva, com Saraiva Lima, e alguns outros cronistas de todos os jornais diários que dedicavam espaço e tempo aos toiros, que ninguém nasce ensinado. E que gostar mais do Diamantino ou do Manuel dos Santos, do Núncio ou do Simão, e pôr isso por escrito, com fundamento válido e criterioso, contribui para esclarecer o público e honra a função.